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Rotas do NOA

O guia definitivo para percorrer o Noroeste Argentino de carro — cada estrada, cada quilômetro, cada dica de que você precisa

Última atualização: Abril de 2026

O Noroeste Argentino (NOA) é uma das regiões mais espetaculares do mundo para percorrer de carro. Desde Salta capital, as estradas se abrem em leque rumo a quebradas coloridas, salares brancos, cuestas de montanha a mais de 4.000 metros e povoados coloniais parados no tempo. A Ruta 68 liga Salta a Cafayate (180 km, 3 horas), atravessando a Quebrada de las Conchas com suas formações rochosas vermelhas. A Rota Nacional 9 sobe para o norte pela Quebrada de Humahuaca, Patrimônio da Humanidade, passando por Purmamarca (190 km), Tilcara e Humahuaca (300 km). Desde Purmamarca, a Ruta 52 sobe pela Cuesta del Lipán até as Salinas Grandes, a 3.450 metros. A RP 33, conhecida como Cuesta del Obispo, atravessa os Vales Calchaquíes até Cachi (157 km) cruzando o Parque Nacional Los Cardones. A mítica Ruta 40 liga Cachi a Cafayate por um trecho de 160 km parcialmente de ripio, que é um dos drives mais desafiadores e bonitos da Argentina. A RN 51 leva a San Antonio de los Cobres pela Quebrada del Toro (164 km), e dali dá para continuar ao Viaducto La Polvorilla do Tren a las Nubes. E, para os aventureiros, a estrada a Iruya (306 km desde Salta) termina com 50 km de cornija de terra que testam os nervos e recompensam com um dos povoados mais isolados e pitorescos da Argentina. Para a maioria dessas rotas, um carro padrão é suficiente; só a Ruta 40 Cachi–Cafayate e o acesso a Iruya exigem 4x4. Este guia cobre cada rota quilômetro a quilômetro: estado da estrada, distâncias, postos de combustível, mudanças de altitude, melhor horário para dirigir, o que você vai ver no caminho e tudo o que precisa saber para planejar seu road trip pelo NOA.

Por que percorrer o NOA de carro?

Há muitos destinos na Argentina que dá para percorrer de ônibus ou em excursão organizada. O NOA também, mas dirigir muda a experiência por completo. As paisagens do NOA se revelam devagar: uma curva mostra um cerro de sete cores, a seguinte um cânion profundo, a outra um campo infinito de cardones. Com seu próprio carro você para onde quiser, desvia para um povoado fora do plano, fica para ver o pôr do sol sobre uma quebrada sem olhar o relógio do guia. As estradas são pouco movimentadas (fora da alta temporada, dá para dirigir 30 minutos sem cruzar com outro veículo), bem sinalizadas nos trechos principais e têm um nível de espetáculo que compete com a Route 66 dos Estados Unidos, a Ring Road da Islândia ou a Garden Route da África do Sul. A diferença é que no NOA ainda não há multidões, os preços são acessíveis e a infraestrutura é suficiente sem perder autenticidade. É, possivelmente, o melhor road trip da América do Sul que quase ninguém conhece.

Tabela-resumo das rotas

Rota Distância Tempo Superfície Veículo Altitude máx.
Salta → Cafayate (Ruta 68) 180 km 3 h Asfalto 100% Qualquer carro 1.660 m
Salta → Purmamarca (RN 9) 190 km 2,5 h Asfalto 100% Qualquer carro 2.200 m
Salta → Humahuaca (RN 9) 300 km 4 h Asfalto 100% Qualquer carro 2.940 m
Purmamarca → Salinas Grandes (Ruta 52) 65 km 1 h Asfalto 100% Qualquer carro 4.170 m
Salta → Cachi (RP 33) 157 km 4 h Asfalto 100% Qualquer carro 3.348 m
Cachi → Cafayate (Ruta 40) 160 km 5 h Mista (ripio) 4x4 recomendado 3.000 m
Salta → San Antonio de los Cobres (RN 51) 164 km 3 h Asfalto 100% Qualquer carro 3.775 m
Salta → Iruya 306 km 7 h Mista (50 km ripio) 4x4 obrigatório 3.950 m

Rota por rota: tudo o que você precisa saber

Salta → Cafayate pela Ruta 68 — A Quebrada de las Conchas

Distância: 180 km | Tempo de direção: 3 horas (sem paradas) | Superfície: asfalto 100%, excelente estado | Condição: ★★★★★ | Combustível: abasteça em Salta, há posto em El Carril (km 35) e em Cafayate | Altitude: sai de 1.187 m (Salta), sobe a 1.660 m e desce a 1.660 m (Cafayate) | Melhor horário: saia cedo pela manhã (7h-8h); a luz da tarde (depois das 16h) é espetacular para as fotos das formações rochosas | Veículo: qualquer carro

A Ruta 68 é a estrada mais famosa do NOA e provavelmente a mais fotogênica de toda a Argentina. Conecta Salta a Cafayate atravessando a Quebrada de las Conchas (também chamada Quebrada de Cafayate), um cânion de 50 km de formações de rocha sedimentar erodidas ao longo de milhões de anos, que deixou figuras naturais em vermelho, laranja e ocre. É uma estrada totalmente asfaltada, em ótimo estado, sem curvas perigosas e apta para qualquer veículo.

O percurso: os primeiros 80 km desde Salta passam pelo Vale de Lerma, uma paisagem verde e agrícola com plantações de tabaco e fazendas. É um trecho rápido e sem muito interesse paisagístico. A mágica começa ao entrar na Quebrada de las Conchas, onde a paisagem muda de repente: as montanhas ficam vermelhas, o rio Las Conchas aparece serpenteando, e cada curva revela uma nova formação geológica.

Paradas obrigatórias (todas sinalizadas com placas e estacionamento à beira da estrada):

Dica principal: embora o tempo de direção seja de 3 horas, planeje pelo menos 5-6 horas para curtir as paradas. É uma estrada para fazer devagar. Muitos viajantes fazem ida e volta no mesmo dia desde Salta, mas o ideal é passar uma ou duas noites em Cafayate para visitar as vinícolas. Os primeiros 80 km até a entrada da Quebrada são pouco interessantes — zona agrícola plana com plantações de tabaco. Dá para parar no Embalse Cabra Corral (um desvio curto da Ruta 68) para um piquenique na margem do lago se precisar cortar a viagem. A mágica real começa quando você entra na Quebrada de las Conchas e a paisagem muda abruptamente de verde para vermelho intenso.

Salta → Purmamarca / Humahuaca pela RN 9 — A Quebrada de Humahuaca

Distância: 190 km até Purmamarca, 220 km até Tilcara, 300 km até Humahuaca | Tempo de direção: 2h30 até Purmamarca, 3 h até Tilcara, 4 h até Humahuaca | Superfície: asfalto 100%, bom estado | Condição: ★★★★★ | Combustível: abasteça em Salta, há postos em San Salvador de Jujuy (km 95), Purmamarca, Tilcara e Humahuaca | Altitude: sai de 1.187 m (Salta), passa por 1.259 m (S.S. de Jujuy), sobe gradualmente a 2.324 m (Purmamarca), 2.461 m (Tilcara) e 2.939 m (Humahuaca) | Melhor horário: qualquer horário; se possível, chegar a Purmamarca para o entardecer | Veículo: qualquer carro

A RN 9 é a coluna vertebral do NOA. Liga Salta à Quebrada de Humahuaca, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2003. É uma estrada larga, totalmente asfaltada, com boa sinalização, que sobe gradualmente dos 1.187 metros de Salta até os quase 3.000 metros de Humahuaca. Não tem dificuldades técnicas: é uma rota que qualquer motorista faz com qualquer veículo.

O percurso: os primeiros 95 km são rodovia/autovia entre Salta e San Salvador de Jujuy (capital da província de Jujuy). É um trecho rápido e sem interesse turístico, só para cobrir distância. Depois de Jujuy capital, a estrada começa a subir e a ficar interessante.

Povoados e paradas principais:

Dica principal: muitos viajantes usam Purmamarca ou Tilcara como base e fazem excursões de ida e volta a Humahuaca e Salinas Grandes. Duas a três noites na Quebrada são ideais. Se você vem no carnaval (fevereiro), a Quebrada vira uma festa com diabladas, música e cores — mas é preciso reservar hospedagem com meses de antecedência.

Purmamarca → Salinas Grandes pela Ruta 52 — A Cuesta del Lipán

Distância: 65 km | Tempo de direção: 1 hora (sem paradas) | Superfície: asfalto 100%, bom estado | Condição: ★★★★☆ (por causa da altitude e das curvas) | Combustível: abasteça em Purmamarca ou Tilcara, NÃO há postos na Cuesta nem nas Salinas | Altitude: sai de 2.324 m (Purmamarca), sobe até a passagem a 4.170 m, desce a 3.450 m (Salinas Grandes) | Melhor horário: saia cedo (7h-8h) para chegar às Salinas com sol alto; o branco do salar brilha mais ao meio-dia | Veículo: qualquer carro (o motor pode perder potência na subida, é normal)

A Cuesta del Lipán é uma das subidas de montanha mais espetaculares da Argentina. Em 40 km de ziguezague ascendente, a Ruta 52 sobe dos 2.324 m de Purmamarca até uma passagem a 4.170 m de altitude, para depois descer levemente até as Salinas Grandes, a 3.450 m. A estrada é totalmente asfaltada e em bom estado, mas as curvas são fechadas e a inclinação é pronunciada. O principal desafio não é a estrada, e sim a altitude: a 4.000 metros o ar tem 40% menos oxigênio, os motores aspirados perdem potência notável e algumas pessoas sentem sintomas de apunamiento (tontura, dor de cabeça, falta de ar).

O percurso: você sai de Purmamarca e logo começa a subir. As curvas de ferradura (switchbacks) são amplas e bem sinalizadas. Conforme sobe, a paisagem muda: os cerros coloridos ficam lá embaixo e o entorno fica árido, rochoso, quase lunar. No ponto mais alto há uma placa indicando a altitude e um espaço para parar e tirar fotos. Depois da passagem, a estrada desce levemente e, de repente, aparecem as Salinas Grandes: uma extensão branca e infinita que parece neve, mas é sal pura.

Nas Salinas Grandes: há um setor habilitado para o turismo, com artesãos locais que fazem esculturas de sal. Dá para caminhar pelo salar (leve óculos de sol, o reflexo é intenso), tirar as clássicas fotos de perspectiva forçada e comprar artesanato. Há um pequeno setor com banheiros e barracas de comida. A visita dura entre 30 minutos e 1 hora.

Dica principal: mastigar folhas de coca ou tomar chá de coca antes de subir ajuda com a altitude. Vá devagar na subida, não acelere, deixe o motor trabalhar no seu ritmo. No inverno (junho-agosto) pode haver gelo na estrada no começo da manhã — não saia antes das 8h.

Salta → Cachi pela RP 33 — Cuesta del Obispo e Los Cardones

Distância: 157 km | Tempo de direção: 4 horas (sem paradas) | Superfície: asfalto 100%, estrada sinuosa de montanha | Condição: ★★★★☆ (curvas fechadas, estrada estreita em trechos) | Combustível: abasteça em Salta, o próximo posto é em Cachi (e é o único; às vezes não tem diesel) | Altitude: sai de 1.187 m (Salta), sobe a 3.348 m (Piedra del Molino, ponto mais alto), desce a 2.280 m (Cachi) | Melhor horário: saia entre 7h e 8h; você precisa de luz do dia para todo o percurso | Veículo: qualquer carro, mas com motor em bom estado e freios revisados

A estrada de Salta a Cachi pela RP 33 é considerada por muitos como a mais bonita de todo o NOA. Atravessa três ecossistemas completamente diferentes em 157 km: o Vale de Lerma (verde, subtropical), a Cuesta del Obispo (ziguezague de montanha subtropical), a Recta del Tin Tin no Parque Nacional Los Cardones (altiplano semidesértico com milhares de cactos) e, por fim, a descida ao povoado colonial de Cachi no Vale Calchaquí.

Trecho 1 — Salta a Chicoana (45 km, 40 min): estrada plana e rápida pelo Vale de Lerma. Chicoana é um povoado com boas empanadas para café da manhã antes de atacar a cuesta. Último banheiro confortável antes da montanha.

Trecho 2 — Cuesta del Obispo (45 km, 1h30): aqui começa o sério. A estrada começa a subir em ziguezague pela encosta da montanha. São dezenas de curvas fechadas com precipício de um lado e parede de montanha do outro. A estrada é asfaltada e em bom estado, mas é estreita (em alguns trechos cabem dois veículos apertados) e não tem guard-rails em todos os setores. Vá devagar (30-40 km/h), buzine antes das curvas cegas e dê passagem a veículos que descem. A vegetação é subtropical: yunga de montanha com samambaias, musgos e neblina. Conforme sobe, a vegetação desaparece e a paisagem fica rochosa.

Trecho 3 — Piedra del Molino e Recta del Tin Tin (35 km, 40 min): no ponto mais alto (3.348 m) fica a Piedra del Molino, um mirante com uma capelinha de pedra e vistas incríveis do vale. Dali você começa a descer levemente e entra no Parque Nacional Los Cardones: uma planície onde milhares de cactos cardón (de até 3 metros de altura, crescem 1 cm por ano) se estendem até o horizonte. A Recta del Tin Tin é um trecho reto de 18 km que atravessa essa paisagem — uma foto incrível.

Trecho 4 — Descida até Cachi (32 km, 50 min): descida gradual por Payogasta até Cachi. Cachi é um povoado colonial pequeno (2.500 habitantes), silencioso, com uma igreja histórica, ruas de terra, vistas do Nevado de Cachi (6.380 m) e uma tranquilidade absoluta. Há hospedagem, restaurantes, um museu arqueológico e uma praça encantadora.

Dica principal: essa rota não se faz confortavelmente em ida e volta no mesmo dia desde Salta. Planeje ao menos uma noite em Cachi. Se seguir para Cafayate pela Ruta 40, são duas noites no mínimo (uma em Cachi, uma em Cafayate). Nos domingos à tarde há risco de trânsito na Cuesta del Obispo por causa de gente voltando de Cachi a Salta. Em Chicoana (km 45) dá para parar para tomar o café da manhã — último povoado com serviços antes da montanha. A Recta del Tin Tin ao amanhecer, com sombras enormes dos cerros projetando-se sobre a planície, é uma das fotos mais espetaculares do NOA — se você sair de Cachi cedo, pega com luz perfeita.

Cachi → Cafayate pela Ruta 40 — O trecho mais desafiador do NOA

Distância: 160 km | Tempo de direção: 5 horas (sem paradas) | Superfície: MISTA — trechos asfaltados e trechos de ripio (estado variável) | Condição: ★★★☆☆ (ripio, travessias de rio, isolamento) | Combustível: encha o tanque em Cachi, NÃO há postos até Cafayate (160 km sem combustível) | Altitude: entre 2.000 m e 3.000 m, ondulante | Melhor horário: saia cedo (7h-8h), você precisa chegar a Cafayate com luz | Veículo: 4x4 ou picape alta recomendados (um carro baixo pode fazer na temporada seca, mas com risco de danificar o assoalho)

Aviso honesto sobre essa rota

A Ruta 40 entre Cachi e Cafayate é o trecho mais desafiador do NOA. São cerca de 160 km de ripio com cascalho — uma estrada de terra compactada com pedras que leva cerca de 3 horas de direção pura, sem considerar paradas. As vistas compensam cada buraco, mas é preciso ir preparado: há travessias de rio sem ponte que na temporada de chuvas (janeiro-fevereiro) podem ficar intransitáveis, não há sinal de celular na maior parte do percurso, não há postos, não há socorro mecânico, e o tráfego é mínimo (você pode ficar horas sem cruzar com outro veículo). Viajantes que fizeram essa rota comparam as formações rochosas com as melhores de Utah ou da Islândia. Isso não significa que seja perigosa — milhares de viajantes fazem por ano sem problemas —, mas significa que é preciso ir preparado. Se choveu nos dias anteriores, consulte o estado da estrada antes de sair. Se o seu carro é baixo e você não tem experiência em ripio, considere fazer esse trecho em excursão organizada.

Dito isso, a Ruta 40 entre Cachi e Cafayate é um dos drives mais memoráveis da América do Sul. Você atravessa o coração do Vale Calchaquí: uma paisagem de cerros coloridos, vinhedos de altitude, povoados-fantasma, igrejas de adobe e um silêncio absoluto. É a Argentina profunda na sua versão mais pura.

O percurso:

Dica principal: leve água (mínimo 3 litros por pessoa), comida, estepe em bom estado, macaco, chave de roda, lanterna e um galão de combustível de reserva. Tenha o número de algum contato local em Cachi ou Cafayate para o caso de precisar pedir ajuda. O sinal de celular é nulo em 80% do percurso. Esse trecho está sendo asfaltado aos poucos; confira o estado atualizado antes de viajar.

Salta → San Antonio de los Cobres pela RN 51 — A Quebrada del Toro

Distância: 164 km | Tempo de direção: 3 horas (sem paradas) | Superfície: asfalto 100%, bom estado | Condição: ★★★★☆ | Combustível: abasteça em Salta, há um posto em Campo Quijano (km 30) e outro em San Antonio de los Cobres | Altitude: sai de 1.187 m (Salta), sobe gradualmente a 3.775 m (San Antonio de los Cobres) | Melhor horário: saia cedo (7h-8h); calcule o retorno com luz | Veículo: qualquer carro

A RN 51 segue o traçado do antigo Tren a las Nubes pela Quebrada del Toro, um desfiladeiro profundo que vai subindo dos vales verdes de Salta à Puna árida e fria. É uma estrada totalmente asfaltada, em bom estado, sem grandes dificuldades técnicas. O desafio é a altitude: você passa de 1.187 m a 3.775 m em 164 km e, se não estiver aclimatado, pode sentir os efeitos do apunamiento.

O percurso: os primeiros 30 km até Campo Quijano são rápidos e planos. Depois começa a subida pela Quebrada del Toro: um vale encaixado onde a estrada e os trilhos do trem vão juntos, cruzando-se várias vezes. A paisagem vai mudando do subtropical ao semidesértico. Passa-se pelos povoados de El Alisal, Gobernador Solá e Santa Rosa de Tastil (sítio arqueológico pré-inca, vale a pena parar 30 minutos). Os últimos quilômetros antes de San Antonio de los Cobres são uma planície de Puna com vento forte e paisagem lunar.

San Antonio de los Cobres: povoado mineiro a 3.775 m com cerca de 5.000 habitantes. É frio, ventoso e austero, mas tem um charme particular. Há hospedagens básicas, cantinas com comida caseira, e é o ponto de partida para visitar o Viaducto La Polvorilla (o cartão-postal do Tren a las Nubes, a 30 km por estrada de ripio em bom estado) e para seguir rumo às Salinas Grandes pela RN 40 norte.

Dica principal: essa rota pode ser combinada como um circuito: Salta → San Antonio de los Cobres (RN 51) → Salinas Grandes → Purmamarca (Ruta 52) → Salta (RN 9). É um loop de um dia longo (sair 6h, chegar 20h) ou, melhor, em dois dias com noite em Purmamarca. É um dos melhores circuitos do NOA.

Salta → Iruya — A aventura até o povoado à beira do abismo

Distância: 306 km | Tempo de direção: 6-7 horas (sem paradas) | Superfície: 256 km de asfalto (RN 9 até Humahuaca, depois RP 13) + 50 km de ripio de cornija | Condição: ★★☆☆☆ (o trecho final é tecnicamente exigente) | Combustível: encha o tanque em Humahuaca, último posto antes de Iruya | Altitude: sobe a 3.950 m no Abra del Cóndor, desce a 2.780 m (Iruya) | Melhor horário: chegar ao trecho de ripio com sol alto (entre 10h e 15h); não faça a cornija com pouca luz | Veículo: 4x4 ou picape alta obrigatórios

Aviso importante

Os últimos 50 km até Iruya são uma estrada de ripio de cornija (precipício de um lado, parede de montanha do outro) sem guard-rails, que passa pelo Abra del Cóndor a 3.950 m. Na temporada de chuvas (dezembro-fevereiro), essa estrada pode ficar interrompida por deslizamentos e é extremamente perigosa. NÃO tente essa estrada se choveu nas últimas 48 horas, se é sua primeira vez dirigindo em ripio de montanha ou se seu veículo não é 4x4. Alternativa: há vans que fazem Humahuaca–Iruya todos os dias com motoristas que conhecem a estrada de cor.

Iruya é um dos povoados mais isolados e espetaculares da Argentina. Pendurado na encosta de uma montanha, com casas de adobe escalonadas sobre um barranco, parece saído de um filme. Não tem caixas eletrônicos, o sinal de celular é mínimo e chegar é uma aventura em si. Mas, justamente por isso, é um dos destinos mais autênticos do NOA.

O percurso: os primeiros 256 km são a RN 9 de Salta a Humahuaca (descrição acima). Em Humahuaca você pega a RP 13 para leste. Os primeiros quilômetros são asfalto, mas logo começa o ripio. A estrada sobe pela quebrada do rio Iruya, cada vez mais estreita, até chegar ao Abra del Cóndor (3.950 m), o ponto mais alto. Dali vê-se o povoado lá embaixo, e começa uma descida de cornija até os 2.780 m de Iruya. A descida é lenta (20-30 km/h), exige atenção total e, se você cruzar com outro veículo num trecho estreito, um dos dois precisa dar ré até encontrar um alargamento para dar passagem.

Dica principal: se você não quer dirigir esse trecho, pegue a van desde Humahuaca (sai pela manhã, 2-3 horas, preços acessíveis). Os motoristas locais fazem essa rota todos os dias e conhecem cada curva. Em Iruya, fique pelo menos uma noite (o ideal são duas). Há hospedagens simples, mas confortáveis, comida caseira e caminhadas espetaculares até o povoado vizinho de San Isidro.

Dicas práticas para dirigir no NOA

Estratégia de combustível

A regra de ouro do NOA é simples: se você vir um posto de combustível, encha o tanque. Não importa se ainda tem meio tanque. As distâncias entre postos podem ser enormes, e em alguns povoados o posto pode estar fechado, sem diesel ou sem sistema para cartão de crédito. Viajantes experientes recomendam sempre levar dinheiro vivo em pesos argentinos para os postos de povoados pequenos — muitos não aceitam cartão.

Mapa de postos confiáveis:

Trechos sem combustível: Cachi → Cafayate (160 km), San Antonio de los Cobres → Purmamarca/Susques (65-130 km), Humahuaca → Iruya (50 km). Se você vai fazer esses trechos, leve um galão de reserva de 5-10 litros. Não é paranoia, é senso comum.

Sobre o diesel (gasoil): se você alugar um carro a diesel, saiba que o diesel pode faltar nos povoados pequenos. Os motores a gasolina têm menos potência em altitude, mas o combustível é mais fácil de encontrar. Para um road trip completo pelo NOA, um carro a gasolina é mais prático.

Dirigir em altitude: o que acontece com o carro e com o seu corpo

Várias rotas do NOA superam os 4.000 metros de altitude. Isso afeta tanto o veículo quanto o motorista:

O carro:

Seu corpo:

Temporada de chuvas e interdições

A temporada de chuvas no NOA vai de dezembro a março, com pico em janeiro e fevereiro. Durante esses meses:

Dá para viajar na temporada de chuvas? Sim, mas com cuidados. As estradas asfaltadas principais (Ruta 68, RN 9, RN 51) geralmente se mantêm abertas. Os trechos de ripio são o risco. Se você viajar em janeiro-fevereiro, tenha flexibilidade no roteiro: pode ser que tenha que mudar planos se uma estrada estiver interditada.

Controles de polícia e gendarmería

Nas estradas do NOA você vai encontrar postos da Gendarmería Nacional (polícia de fronteira) e da polícia provincial. São rotineiros, e não há com que se preocupar se você estiver com a documentação em ordem:

Dirigir à noite: não faça isso

Essa dica não é exagero: não dirija à noite nas estradas do NOA. Os motivos:

Planeje as jornadas para sair cedo e chegar com luz. O pôr do sol acontece por volta das 18h-18h30 no inverno e 19h30-20h no verão. Use isso como horário-limite para estar no destino.

Limites de velocidade e controles

Aluguel de carro no NOA

Agências de aluguel em Salta

Salta é a base de operações para qualquer road trip pelo NOA. O aeroporto Martín Miguel de Güemes (SLA) tem escritórios de locadoras, e no centro da cidade há várias outras:

4x4 versus carro padrão: qual você precisa?

Resposta curta

Se você só vai fazer as estradas pavimentadas (Ruta 68 a Cafayate, RN 9 a Humahuaca, Ruta 52 a Salinas Grandes, RP 33 a Cachi, RN 51 a San Antonio de los Cobres), um carro padrão é 100% suficiente. Um Chevrolet Onix, VW Gol, Toyota Etios ou similar servem perfeitamente. Não gaste a mais em 4x4 se não precisar.

Você precisa de 4x4 ou picape alta SÓ se for fazer:

Um veículo popular para road trips completos do NOA é a Toyota Hilux (picape) ou a Renault Duster (SUV compacta). Ambas têm boa altura do solo, tração adequada e são encontradas nas locadoras.

Preços de referência do aluguel

Seguro e documentação

Dicas para a devolução

Se você dirigiu por ripio, o carro vai voltar sujo e possivelmente com algum arranhão. A maioria das locadoras do NOA está acostumada a isso. Algumas recomendações:

Roteiros sugeridos de road trip

Road trip curto: 4-5 dias (sem 4x4)

Road trip completo: 10-14 dias (com 4x4)

O que levar no carro

Checklist para um road trip seguro e confortável pelo NOA:

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Perguntas Frequentes

Preciso de 4x4 para percorrer o NOA?

Para a maioria das estradas principais (Ruta 68, RN 9, Ruta 52, RP 33, RN 51), um carro padrão é 100% suficiente. Só é preciso 4x4 para a Ruta 40 entre Cachi e Cafayate (trechos de ripio), o caminho a Iruya (50 km de ripio de cornija) e a Serranía del Hornocal. Se seu roteiro não inclui essas rotas, economize o dinheiro do 4x4.

Qual a melhor época para um road trip pelo NOA?

De abril a novembro (temporada seca). Os meses ideais são abril-maio e setembro-outubro: clima ameno, céus limpos, estradas em bom estado. Evite janeiro e fevereiro por causa das chuvas (interdições, deslizamentos). Julho-agosto é alta temporada com céus perfeitos, mas noites geladas em altitude.

Quantos dias preciso para percorrer as estradas do NOA?

Circuito completo: mínimo 7 dias, ideal 10-14 dias. Se você tem poucos dias, escolha um circuito: sul (Cafayate–Cachi, 4-5 dias) ou norte (Humahuaca–Salinas–Purmamarca, 3-4 dias). Um dia só para a Ruta 68 ida e volta também funciona.

Onde abasteço nas estradas do NOA?

Regra de ouro: encha o tanque em todo povoado com posto. Postos confiáveis: Salta, Cafayate, San Salvador de Jujuy, Purmamarca, Tilcara, Humahuaca. Postos limitados: Cachi (um único, às vezes sem diesel), San Antonio de los Cobres (um). Sem combustível: Cachi–Cafayate (160 km), trecho a Iruya. Leve galão de reserva nesses trechos.

É seguro dirigir à noite no NOA?

Não é recomendado. As estradas não têm iluminação, há animais soltos (vacas, burros, lhamas), os acostamentos são de terra e, em montanha, as curvas são fechadas sem guard-rails. No inverno há gelo nas estradas de altitude. Planeje para chegar ao destino antes do pôr do sol.

Que documentos preciso para alugar carro no NOA?

Carteira de habilitação válida (a argentina é suficiente; estrangeiros: habilitação internacional recomendada), cartão de crédito em nome do motorista, RG ou passaporte. Menores de 21 geralmente não podem alugar. Seguro CDW/LDW recomendado para ripio. Para cruzar ao Chile: autorização especial da locadora.

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