A Argentina é o quinto maior produtor mundial de vinho e o primeiro em Malbec. Mas a riqueza não está só em Mendoza: Cafayate produz os melhores Torrontés do mundo a 1.700 metros, San Juan tem uma cena emergente, e os novos terroirs na Patagônia (Río Negro, Neuquén) estão redefinindo o que o vinho argentino pode ser. Este guia cobre os quatro polos vitivinícolas que você precisa conhecer.
Mendoza: o coração do vinho argentino
Mendoza concentra 70% da produção nacional. Quatro sub-regiões imperdíveis:
- Luján de Cuyo: a "Primera Zona", a 30 km de Mendoza capital. Berço do Malbec moderno argentino. Vinícolas como Catena Zapata, Achaval Ferrer, Norton, Lagarde. Visitas USD 25-60, almoços com harmonização USD 80-150.
- Maipú: a região mais histórica, ideal para percorrer de bicicleta. Vinícolas familiares como Trapiche, López, Familia Zuccardi.
- Valle de Uco: os vinhedos de maior altitude (900-1.500 m) e os vinhos mais premiados da última década. Vinícolas arquitetônicas como Salentein, O. Fournier, The Vines, Andeluna.
- San Rafael: o sul mendocino, menos turístico, com vinícolas familiares e preços mais acessíveis.
Cafayate e os Vales Calchaquíes
Cafayate é a capital do Torrontés, a uva branca símbolo da Argentina. A 1.660 metros de altitude, o vinho branco aromático produzido aqui não se encontra em nenhum outro lugar do mundo com essa qualidade. Há mais de 30 vinícolas num raio de 20 km. Imperdíveis: El Esteco (com hotel e restaurante), Piattelli, Nanni, Domingo Hermanos, Finca Las Nubes. A Bodega Colomé (fundada em 1831, uma das vinícolas em funcionamento mais antigas da Argentina) fica perto de Molinos, a 2.300 m, e seu vinhedo "Altura Máxima" a 3.111 m é um dos mais altos do mundo. Abriga o único museu dedicado integralmente ao artista James Turrell fora dos Estados Unidos.
Mais ao norte, em Molinos e na zona alta dos Vales Calchaquíes, há vinícolas boutique a 2.000-2.500 m que produzem Malbec de altitude extrema com personalidade própria. A Ruta 40 entre Cafayate e Cachi passa por vinícolas escondidas que quase ninguém conhece.
San Juan: o segredo bem guardado
San Juan é o segundo maior produtor nacional, mas recebe apenas 5% do turismo vitivinícola. Isso o torna ideal para quem busca vinícolas sem filas e preços melhores. Excelentes Syrah, Bonarda e Malbec. A região de Pedernal e o Valle del Tulum são as melhores apostas. Combinável com o Valle de la Luna.
Patagônia: os novos terroirs
Os vinhedos da Alta Patagônia (Río Negro e Neuquén) são a fronteira mais recente do vinho argentino. Produzem Pinot Noir, Chardonnay e Merlot de clima frio que estão conquistando os melhores restaurantes do mundo. Vinícolas como Bodega del Fin del Mundo, Familia Schroeder, Bodega Chacra. A temporada de visitas vai de outubro a abril.
Quando ir
- Vindima (fevereiro-março): época da colheita. Festivais, vinícolas em plena atividade. Reserve com bastante antecedência.
- Outono (abril-maio): os vinhedos mudam de cor. Temperatura ideal. Minha favorita pessoal.
- Inverno (junho-agosto): menos gente, dias ensolarados, possibilidade de combinar com esqui em Las Leñas.
- Primavera (setembro-novembro): brotos verdes, floração, equilíbrio.
Como organizar uma rota do vinho
Para uma primeira visita, 3 a 4 dias em Mendoza é o mínimo. Recomendado: 1 dia em Luján de Cuyo, 1 dia no Valle de Uco, 1 dia em Maipú de bicicleta, 1 dia livre. Para combinar com Cafayate, acrescente 2 a 3 dias em Salta com voo MDZ-SLA. Para uma experiência premium, hospede-se em vinícolas-hotel como Cavas Wine Lodge, The Vines Resort & Spa ou o lodge da El Esteco em Cafayate.