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De Salta a Atacama

De Salta a Atacama

Cruzar os Andes pelo Paso de Jama — uma das rotas mais espetaculares do mundo

A rota de Salta (Argentina) a San Pedro de Atacama (Chile) é uma das travessias mais espetaculares da América do Sul — e para brasileiros que já estão no NOA argentino, é a extensão perfeita da viagem. São aproximadamente 500 km pela Ruta Nacional 52 cruzando os Andes pelo Paso de Jama a 4.230 metros de altitude, passando por Purmamarca, as Salinas Grandes, o altiplano da Puna e paisagens lunares antes de descer ao deserto do Atacama. Pode-se fazer de ônibus direto (12-14 horas, ~US$ 40-60) ou de carro (7-8 horas sem paradas). O passo está aberto o ano todo e a rota é inteiramente asfaltada. Para brasileiros, a grande vantagem é que o RG com a inscrição "MERCOSUL" basta para cruzar — não precisa de passaporte (embora seja mais prático levá-lo). Este guia cobre tudo: transporte, documentos, o que ver no caminho, a rigorosa aduana chilena, e como combinar com o Salar de Uyuni (Bolívia) para montar o roteiro definitivo pelo altiplano sul-americano.

Rota Salta → San Pedro de Atacama pelo Paso de Jama

O percurso trecho a trecho

A rota é uma das mais cênicas do continente. Cada trecho tem sua personalidade — de vales coloridos a planícies de sal a paisagens lunares no altiplano. Aqui está o detalhamento:

  1. Salta → Purmamarca (190 km, 2h30): Ruta Nacional 9, totalmente asfaltada, excelente estado. Subida gradual de 1.187m a 2.324 m. Parada obrigatória em Purmamarca para o Cerro de los 7 Colores e café da manhã. Se não conhece Purmamarca, reserve pelo menos 1 hora aqui — vale cada minuto.
  2. Purmamarca → Salinas Grandes (65 km, 1h): Ruta 52, subida pela Cuesta del Lipán (ziguezague cênico até 4.170m). A estrada é boa mas as curvas podem causar enjoo — leve remédio se for sensível. As Salinas Grandes a 3.450m merecem uma parada de 30-60 minutos para fotos e artesanato de sal. É aqui que a altitude começa a ser sentida.
  3. Salinas Grandes → Susques (85 km, 1h): Altiplano, paisagem árida e lunar. Susques é o último povoado argentino com combustível. Abasteça o tanque obrigatoriamente — não há posto até San Pedro de Atacama (275 km adiante). Há uma barraca de empanadas na praça do povoado e um mercadinho para comprar água e lanches.
  4. Susques → Paso de Jama (110 km, 1h30): Reta pela Puna a 4.000m+. Paisagem de vulcões, vicunhas e salares menores. Controle migratório argentino antes do passo. O Paso de Jama fica a 4.230m — o ponto mais alto da rota. A sensação é de estar no teto do mundo.
  5. Paso de Jama → San Pedro de Atacama (160 km, 2h): Controle migratório e aduaneiro chileno (controle fitossanitário rigoroso — veja abaixo). Descida gradual pelo deserto do Atacama. A paisagem muda drasticamente: do altiplano verde-amarelado para o deserto mais seco do mundo, com vulcões nevados no horizonte. Chegada a San Pedro a 2.400m.

Tabela de altitudes ao longo da rota

Ponto Altitude km desde Salta Observação
Salta (saída)1.187m0Abasteça, tome café
Purmamarca2.324 m190Parada para fotos e café
Cuesta del Lipán (topo)4.170m230Ponto alto, não pare muito
Salinas Grandes3.450m255Parada de 30-60 min
Susques3.896m340Último combustível!
Paso de Jama4.230m450Fronteira Argentina-Chile
San Pedro de Atacama2.400m510Chegada ao Chile

De Ônibus

Há ônibus diretos de Salta a San Pedro de Atacama operados por empresas como Andesmar, Pullman e Geminis. Geralmente saem às 7h da manhã da terminal rodoviária de Salta. Duração: 12-14 horas (incluindo 1-2 horas nos controles fronterizos). Preço: US$ 40-60 dependendo da empresa e da temporada. Semi-leito padrão, sem serviço de bordo elaborado — leve comida, água e lanches.

Dicas para brasileiros:

De Carro Próprio ou Alugado

A rota está 100% asfaltada e não precisa de 4x4. Um carro standard funciona perfeitamente. Tempo de direção líquido: 7-8 horas, mas some 1-2 horas de paradas (Purmamarca, Salinas, fotos) e 1 hora de trâmites migratórios. Total realista: 10-11 horas. Saia cedo de Salta (6h-7h) para chegar a San Pedro antes do anoitecer.

Dicas de direção

Documentos para Brasileiros — Guia Completo

Esta é a informação mais importante para brasileiros fazendo esta travessia. Aqui está tudo o que você precisa:

Para cruzar a fronteira Argentina-Chile (pessoas)

Para cruzar com carro

Controle Fitossanitário Chileno — MUITO IMPORTANTE

O Chile tem o controle fitossanitário mais rigoroso da América do Sul. O SAG (Servicio Agrícola y Ganadero) fiscaliza com cães farejadores, scanner de bagagem e inspeção manual. Não tente passar nada proibido — as multas são altas (US$ 200+) e o risco não vale.

Proibido ingressar no Chile

Permitido (com declaração)

Dica prática: antes de chegar ao controle, consuma ou descarte tudo que for proibido. Muitos viajeros jogam frutas e empanadas fora no lixo antes do posto — é melhor perder a comida do que pagar a multa. Se estiver em dúvida sobre algum item, declare — declarar e perder o produto é melhor que ser multado por não declarar.

O Que Ver no Caminho

Esta travessia não é apenas um deslocamento — é uma das experiências mais visuais da América do Sul. Aqui estão os destaques:

Purmamarca e o Cerro de los 7 Colores

Primeira parada, 2h30 após sair de Salta. O vilarejo é pitoresco e o Cerro de los 7 Colores é visível da praça principal. Se tiver tempo, faça o Paseo de Los Colorados (3 km a pé, 1 hora) para ver a montanha de diferentes ângulos. Há cafés e restaurantes na praça para café da manhã. A feirinha de artesanato tem ponches, gorros de lã de lhama e artesanato local.

Cuesta del Lipán

A subida em ziguezague de Purmamarca a 2.324 m) ao topo (4.170m) é espetacular. São 2.000 metros de desnível em 40 km de curvas. A paisagem muda completamente: de vegetação seca de quebrada para altiplano árido. Há mirantes para parar e fotografar (e recuperar o fôlego se estiver dirigindo).

Salinas Grandes

O salar a 3.450m é parada obrigatória. O branco infinito contra o céu azul intenso é hipnotizante. Há artesãos vendendo esculturas de sal, e as piscinas de extração de lítio criam espelhos d'água perfeitos para fotos. Dedique 30-60 minutos. Leve protetor solar e óculos escuros — o reflexo é intenso.

Altiplano da Puna

Entre Susques e o Paso de Jama, a paisagem é de outro planeta. Planícies a 4.000m com vulcões no horizonte, vicunhas selvagens correndo em bandos, salares menores e uma solidão absoluta. Para brasileiros, acostumados com o verde tropical, esta paisagem é chocante — no melhor sentido. Parece Marte com céu azul.

Descida ao Atacama

Após o controle chileno, a descida ao deserto do Atacama é gradual e igualmente impressionante. Vulcões nevados (Licancabur, 5.916m) aparecem no horizonte. A aridez é total — não há vegetação alguma. A chegada a San Pedro de Atacama, com seu centro de adobe e ruas de terra, é o contraste perfeito.

San Pedro de Atacama — O Que Fazer na Chegada

San Pedro é um vilarejo turístico compacto no deserto mais seco do mundo. Depois de dias no NOA argentino, o Atacama oferece paisagens diferentes mas igualmente deslumbrantes. Os destaques:

Reserve 3-5 dias em San Pedro para aproveitar. Os tours são vendidos por dezenas de agências na Calle Caracoles (rua principal). Preços são negociáveis, especialmente fora de temporada.

Rota Salta → Salar de Uyuni (Bolívia)

O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo (10.582 km²) e está a um passo de distância se você já está no NOA ou no Atacama. Para brasileiros, combinar NOA + Atacama + Uyuni é o roteiro definitivo pela América do Sul andina.

Opção 1: Via San Pedro de Atacama (a mais popular)

Salta → San Pedro de Atacama (ônibus ou carro, como descrito acima) → Tour de 3 dias ao Salar de Uyuni desde Atacama. Os tours de 3 dias incluem: Lagunas Altiplánicas, Piedras Rojas, Géiseres del Tatio (opcional), Deserto de Dalí, Laguna Verde, Laguna Colorada, e o Salar de Uyuni. Terminam em Uyuni (Bolívia). Preço: US$ 200-350 por pessoa tudo incluído (transporte em 4x4, hospedagem em refúgios básicos, refeições). Reserve com agências em San Pedro na Calle Caracoles — compare pelo menos 3 agências.

Para brasileiros: você precisará de visto para entrar na Bolívia. O visto boliviano pode ser obtido na fronteira (custo: ~US$ 50-100, pagamento em dólares) ou antecipadamente no consulado. Leve foto 3x4, comprovante de hospedagem (o tour conta) e comprovante de vacinação contra febre amarela. O certificado internacional de vacina contra febre amarela é obrigatório para brasileiros entrando na Bolívia.

Opção 2: Via La Quiaca/Villazón (rota terrestre direta)

Salta → La Quiaca (fronteira com a Bolívia, 310 km, 5-6h pela RN 9 passando por toda a Quebrada de Humahuaca) → cruzamento a pé para Villazón → ônibus/trem para Tupiza (3h) → ônibus para Uyuni (6h). Ou: tour de 4 dias ao Salar saindo de Tupiza (inclui paisagens extras que o tour de 3 dias desde Atacama não cobre). Esta opção é mais econômica mas mais longa e com menos infraestrutura turística.

Sobre a fronteira La Quiaca/Villazón: é uma fronteira movimentada e caótica, mas funcional. O cruzamento é a pé pela ponte sobre o rio. Do lado boliviano, a cidade de Villazón tem casas de câmbio, restaurantes simples e a estação de trem/ônibus. Leve dólares para trocar por bolivianos — o real é aceito mas com taxa desfavorável.

Roteiros Multipaís — Combinações para Brasileiros

NOA + Atacama (10-14 dias)

O roteiro mais popular para brasileiros que querem combinar Argentina e Chile numa viagem só. Sugestão:

  1. Voo GRU → SLA (Salta). 5-7 dias no NOA: Salta, Cafayate, Quebrada de Humahuaca, Salinas Grandes, Cachi.
  2. Travessia Salta → San Pedro de Atacama pelo Paso de Jama (ônibus ou carro).
  3. 3-5 dias no Atacama: Valle de la Luna, Géiseres, Lagunas, Termas.
  4. Voo CJC (Calama, aeroporto mais próximo de Atacama) → SCL (Santiago) → GRU. Ou CJC → GRU direto (quando disponível).

Logística aérea: compre passagens de ida (GRU → SLA) e volta (CJC → GRU) separadamente. Muitas vezes sai mais barato que um trecho de ida e volta para o mesmo destino. Use Google Flights ou Skyscanner para encontrar as melhores combinações.

NOA + Atacama + Uyuni (14-21 dias)

O roteiro definitivo pelo altiplano sul-americano. É a viagem da vida para quem curte paisagens naturais extremas:

  1. Voo GRU → SLA. 5-7 dias no NOA completo.
  2. Travessia Salta → San Pedro de Atacama.
  3. 2-3 dias em Atacama (Valle de la Luna, Géiseres).
  4. Tour de 3 dias Atacama → Uyuni (terminando na Bolívia).
  5. Voo Uyuni → La Paz → GRU (via Santa Cruz ou Lima). Ou retorno terrestre: Uyuni → Villazón → La Quiaca → Salta → voo para casa.

Documentos necessários: passaporte brasileiro válido + visto boliviano + certificado internacional de vacina contra febre amarela. Os três documentos são indispensáveis para a etapa boliviana.

Apenas a Travessia (Salta → Atacama, sem volta)

Se você quer apenas cruzar de Salta ao Atacama e voltar de lá, o roteiro mais eficiente é:

  1. Voo GRU → SLA. 4-5 dias no NOA.
  2. Ônibus Salta → San Pedro de Atacama (1 dia).
  3. 3-4 dias no Atacama.
  4. Voo CJC → SCL → GRU.

Quando Fazer a Travessia

O Paso de Jama está aberto o ano todo, mas as condições variam:

Custos Estimados para Brasileiros

Item Econômico Moderado
Ônibus Salta → AtacamaR$ 200R$ 350
Carro alugado Salta → Atacama (+ combustível)R$ 600R$ 1.000
Hospedagem San Pedro (por noite)R$ 150R$ 400
Tours em Atacama (Valle de la Luna)R$ 80R$ 150
Tours em Atacama (Géiseres del Tatio)R$ 120R$ 200
Tour 3 dias Atacama → UyuniR$ 1.000R$ 1.800
Voo CJC → GRU (volta)R$ 1.200R$ 2.500

Valores estimados para 2026 por pessoa, sujeitos a variação cambial. O Chile é mais caro que a Argentina — espere gastar mais em San Pedro de Atacama do que em Salta.

Dicas Finais para Brasileiros

Reserve Transporte e Hospedagem

Aluguel de carro com travessia ao Chile

Alugue um carro em Salta habilitado para cruzar ao Chile pelo Paso de Jama. A partir de US$ 40/dia.

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Chile

Hotéis em San Pedro de Atacama

De hostels a hotéis boutique no deserto mais seco do mundo. Reserve com antecedência na alta temporada.

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Tour Uyuni desde Atacama

Tour de 3 dias: Lagunas, Gêiseres, Deserto de Dalí e Salar de Uyuni. Tudo incluído.

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Perguntas Frequentes

Como ir de Salta a San Pedro de Atacama?

De ônibus direto (12-14h, US$ 40-60) ou de carro pela RN 52, Paso de Jama (7-8h, rota asfaltada, não precisa de 4x4). Passa por Purmamarca, Salinas Grandes e o altiplano a 4.200m. É uma das rotas mais bonitas do mundo.

Brasileiros precisam de passaporte para ir ao Chile?

Não obrigatoriamente. O RG com a inscrição "MERCOSUL" é aceito. Mas o passaporte é mais prático e evita possíveis problemas com documentos deteriorados. Não é necessário visto para turismo (até 90 dias). CNH não serve como documento de identidade na fronteira.

Dá para ir de Salta ao Salar de Uyuni?

Sim. A melhor opção: Salta → San Pedro de Atacama (ônibus/carro) → tour de 3 dias ao Salar (US$ 200-350, tudo incluído). Alternativa: Salta → La Quiaca → Villazón → Tupiza → Uyuni (mais barato, mais longo). Brasileiros precisam de visto boliviano e certificado de febre amarela.

O que é proibido levar na aduana chilena?

Frutas, verduras, carne, queijos, folhas de coca (nem chá em saquinhos), mel, doce de leite, sementes. O controle usa cães e scanner. Consuma ou descarte tudo antes de chegar ao posto. Multas são altas (US$ 200+). Yerba mate em pacote fechado é permitida se declarada.

Posso usar a CNH brasileira para dirigir na Argentina e Chile?

Sim. A CNH brasileira é válida para turistas nos dois países. Leve o documento original. Se alugar carro em Salta para cruzar ao Chile, verifique com a locadora se o veículo tem autorização para sair do país — nem todas permitem.

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