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Ruta 40 nos Vales Calchaquíes com montanhas coloridas e cactos cardones

Vales Calchaquíes

A rota mais espetacular do noroeste argentino. Adobe, cardones, vinhos de altitude e silêncio andino entre Cachi e Cafayate.

Última atualização: Abril de 2026

Os Vales Calchaquíes são um sistema de vales interligados que se estendem por mais de 520 km ao longo das províncias de Salta, Tucumán e Catamarca, formando uma das paisagens mais extraordinárias da Argentina. Esculpidos durante milhões de anos pelo rio Calchaquí e seus afluentes entre cadeias de montanhas que superam os 5.000 metros, esses vales foram território da cultura diaguita-calchaquí, povos guerreiros que resistiram tanto ao Império Inca quanto à conquista espanhola por mais de um século. Hoje, a Ruta 40 atravessa essa paisagem de cerros coloridos, quebradas profundas, povoados de adobe parados no tempo, vinhedos a mais de 2.000 metros de altitude e um silêncio só interrompido pelo vento e pelos condores. O circuito completo Salta → Cachi → Molinos → Angastaco → San Carlos → Cafayate → Salta é, para muitos viajantes, o mais memorável de toda a viagem pela Argentina.

Conteúdo verificado localmente
Vista panorámica de la ciudad de Salta desde el Cerro San Bernardo
Cerro de los Siete Colores en Purmamarca, Quebrada de Humahuaca
Tren a las Nubes cruzando el Viaducto La Polvorilla a 4.220 m
Viñedos de altura en Cafayate con la Cordillera de los Andes

Como chegar — distâncias e tempos

De Distância Voo Bus Carro
Buenos Aires (EZE) 1500 km 2 h 20 20–22 h 15–17 h
São Paulo (GRU) 2800 km 4 h 30
Córdoba 890 km 1 h 30 11–13 h 9–10 h
Mendoza 1200 km 2 h 17–19 h 13–15 h
Tucumán 300 km 4 h 3 h 30
Jujuy 95 km 2 h 1 h 30

Clima mês a mês

Mes Temp. Chuva Turistas Nota
Jan 16° / 28°C 180 mm Verão chuvoso
Fev 15° / 27°C 155 mm
Mar 14° / 26°C 110 mm
Abr 11° / 24°C 30 mm Início época seca
Mai 8° / 22°C 8 mm
Jun 5° / 20°C 3 mm
Jul 4° / 20°C 3 mm Férias de inverno
Ago 6° / 22°C 5 mm
Set 9° / 25°C 10 mm Céus limpos
Out 12° / 27°C 25 mm
Nov 14° / 28°C 60 mm
Dez 16° / 28°C 140 mm Fim de ano

Preços estimados por categoria

CategoriaMochileiroConfortoPremium
Hotel/noiteUSD 15–25USD 50–90USD 150–350
Comida diáriaUSD 12–18USD 25–40USD 60–120
Excursão diaUSD 40–55USD 60–90USD 120–200
Carro aluguel/diaUSD 30–45USD 50–70USD 90–150

Valores em USD referência abril 2026. Podem variar conforme a cotação do peso argentino.

O circuito completo: mapa da rota

O circuito clássico dos Vales Calchaquíes forma um loop de aproximadamente 520 km que combina duas rotas espetaculares:

O circuito pode ser feito em qualquer sentido, mas a direção Salta → Cachi → Cafayate → Salta é a mais popular porque permite curtir a Cuesta del Obispo com a luz da manhã e chegar a Cafayate para o entardecer com vinhos.

Trecho 1: Salta a Cachi pela Cuesta del Obispo

A viagem começa em Salta capital rumo ao oeste pela RP 33. Os primeiros 30 km atravessam o fértil Vale de Lerma entre plantações de tabaco e campos verdes. Depois a estrada entra na Quebrada de Escoipe, um cânion com vegetação selvagem onde samambaias e cipós pendem sobre a estrada e o rio Escoipe acompanha o caminho. É a transição entre as terras baixas tropicais e a montanha andina.

A Cuesta del Obispo propriamente dita são 20 km de curvas fechadas que sobem dos 2.000 metros aos 3.348 metros da passagem Piedra del Molino. A subida é espetacular: a paisagem muda do verde subtropical ao pastizal de altitude e depois à rocha nua, com mirantes que oferecem vistas de tirar o fôlego sobre os vales que ficam para trás. Em Piedra del Molino, o ponto mais alto, há um monólito e vistas 360° que vão do Vale de Lerma aos cumes do Nevado de Cachi.

Depois da passagem, a paisagem muda radicalmente: o Parque Nacional Los Cardones é um planalto árido salpicado de milhares de cactos cardones gigantes (Echinopsis atacamensis) que podem chegar a 10 metros de altura e 300 anos de idade. A Recta del Tin Tin, uma reta perfeita de 18 km que atravessa o parque, acredita-se que tenha feito parte do Qhapaq Ñan (caminho inca). A descida final até Cachi revela o Nevado de Cachi (6.380 m) dominando o horizonte.

Dica local: Saia de Salta cedo (7h-8h) para ter a melhor luz na Cuesta del Obispo e chegar em Cachi para o almoço. Pare em todos os mirantes da Cuesta — as fotos são espetaculares. Abasteça em Salta: o próximo posto é em Cachi (YPF, disponibilidade variável).

Trecho 2: Cachi a Molinos — Adobe e artesanato

Cachi merece pelo menos uma noite. O povoado de 3.000 habitantes a 2.280 metros é uma joia da arquitetura colonial andina: casas de adobe caiado, ruas de pedra, a Igreja San José do século XVIII com teto de cardón e o Museu Arqueológico Pío Pablo Díaz, com 5.000 peças das culturas calchaquíes.

A partir de Cachi, a Ruta 40 desce ao vale do rio Calchaquí rumo ao sul. A 38 km está Seclantás, a capital do poncho salteño, onde artesãos tecem em teares criollos com técnicas ancestrais. A 23 km mais ao sul, Molinos é um povoado colonial de 200 habitantes com uma igreja do século XVII que conserva a múmia do último governador espanhol. Perto de Molinos está a Bodega Colomé (fundada em 1831, uma das vinícolas em funcionamento mais antigas da Argentina), cujos vinhedos vão dos 2.300 aos 3.111 m — a parcela "Altura Máxima" entre as mais altas do mundo — e que abriga o único museu dedicado inteiramente a James Turrell fora dos EUA.

Trecho 3: Quebrada de las Flechas — A maravilha geológica

Entre Angastaco e San Carlos, a Ruta 40 atravessa a Quebrada de las Flechas, uma das formações geológicas mais impressionantes da Argentina. Enormes lâminas de rocha sedimentar inclinadas a 45° surgem do solo como flechas gigantes apontando para o céu — daí o nome. Essas formações se criaram há 20 milhões de anos, quando os movimentos tectônicos levantaram e rotacionaram camadas de sedimentos do fundo do mar. O efeito visual é surreal: uma floresta de rochas pontiagudas cinzas e ocres que se estende por vários quilômetros.

O trecho pela Quebrada de las Flechas é o mais exigente do circuito: ripio irregular, curvas fechadas entre as formações rochosas e possibilidade de trechos arenosos. A velocidade média é de 30-40 km/h. Mas também é o trecho mais memorável. Pare o carro, desça e caminhe entre as formações: a escala é avassaladora e as fotos não fazem justiça à realidade.

Trecho 4: San Carlos e a chegada a Cafayate

San Carlos é o povoado mais antigo dos Vales Calchaquíes, fundado em 1551 e refundado cinco vezes (as resistências calchaquíes o destruíram repetidamente). Hoje é um povoado tranquilo com uma praça arborizada e uma igreja imponente. Tem uma vinícola (San Carlos) e produz pimentões para pimentón.

De San Carlos, os últimos 25 km até Cafayate são de asfalto e marcam a entrada na zona das vinícolas. Cafayate (1.683 m) é a capital do vinho do noroeste argentino, famosa pelos torrontés (uva branca aromática que aqui atinge a máxima expressão) e pelos tintos de altitude (malbec, cabernet sauvignon, tannat). As vinícolas abertas a visita incluem Piattelli, El Esteco, Nanni, Piatelli e muitas outras. Cafayate tem excelente oferta gastronômica, hoteleira e cultural — merece ao menos 1-2 noites.

Trecho 5: Cafayate a Salta pela Quebrada de las Conchas

O fechamento do circuito é a Quebrada de las Conchas (também chamada Quebrada de Cafayate), uma das paisagens mais fotogênicas da Argentina. A RN 68 serpenteia durante 70 km entre formações rochosas de arenito vermelho, laranja, ocre e violeta esculpidas por milhões de anos de erosão eólica e hídrica. Os pontos de destaque incluem:

A estrada é totalmente asfaltada e apta para qualquer veículo. As paradas nos mirantes acrescentam 2-3 horas à viagem. A luz do entardecer tinge as rochas com cores intensas que fazem os fotógrafos perderem a noção do tempo.

Vinhos dos Vales Calchaquíes: viticultura extrema

Os Vales Calchaquíes abrigam os vinhedos mais altos do mundo fora da Ásia, em altitudes de 1.700 a 3.111 metros acima do nível do mar (a Bodega Colomé, em Molinos, tem vinhedos a 3.111 m). Essa altitude extrema produz condições únicas: uma amplitude térmica diária de até 25°C (dias quentes, noites geladas), 300 dias de sol por ano, ar seco e radiação UV intensa que obriga as uvas a desenvolverem cascas grossas e a concentrarem sabores.

O resultado são vinhos de caráter intenso, com cores profundas, taninos firmes e uma frescura mineral que os distingue de qualquer outro terroir. As variedades-estrela são o torrontés (branco aromático, floral e cítrico — o mais emblemático da região), o malbec de altitude (concentrado, especiado, com notas de violeta) e o tannat (potente, com taninos robustos). As vinícolas abertas a visita na região incluem Colomé (Molinos), Piattelli, El Esteco, Nanni, San Pedro de Yacochuya e Domingo Hermanos (Cafayate).

Orçamento para o circuito

Perguntas frequentes sobre os Vales Calchaquíes

Quantos dias são necessários para percorrer os Vales Calchaquíes?

O mínimo para o circuito completo (Salta-Cachi-Ruta 40-Cafayate-Salta) são 3 dias/2 noites: Dia 1 Salta-Cachi, Dia 2 Cachi-Cafayate pela Ruta 40, Dia 3 Cafayate-Salta pela Ruta 68. Com 4-5 dias, o passeio fica mais gostoso: dá para acrescentar paradas em Seclantás, Molinos, Angastaco e mais tempo em Cachi e Cafayate.

Preciso de 4x4 para a Ruta 40 dos Vales Calchaquíes?

Não é estritamente necessário, mas recomenda-se um veículo com boa altura do solo (SUV, crossover, picape). A Ruta 40 entre Cachi e Cafayate é de ripio na maior parte e pode ter trechos complicados depois de chuvas. Na temporada seca (abril-novembro), um veículo alto com pneus em bom estado é suficiente. No verão (dezembro-março), o 4x4 é mais recomendado por causa das chuvas.

Dá para fazer o circuito de transporte público?

É difícil, mas possível em parte. Há um ônibus diário Salta-Cachi (Marcos Rueda) e ônibus Salta-Cafayate (várias empresas). Porém, não há ônibus regular entre Cachi e Cafayate pela Ruta 40. Para esse trecho você precisa de carro, excursão organizada ou carona (hitchhiking, comum na região, mas sem garantia). Os tours organizados de 2-3 dias são a melhor opção sem carro.

Qual a melhor época para visitar os Vales Calchaquíes?

O outono (março-maio) é a melhor época: clima seco e ameno, céus limpos, álamos dourados, vendimia em Cafayate. O inverno (junho-agosto) tem dias ensolarados e noites frias, com neve espetacular. A primavera (setembro-novembro) é boa, com menos turistas. O verão (dezembro-fevereiro) tem chuvas que podem complicar as estradas de ripio.

Há sinal de celular nos Vales Calchaquíes?

O sinal é intermitente e em muitos trechos inexistente. Nos povoados (Cachi, Molinos, Angastaco, San Carlos) há sinal básico de Personal e Claro. Na Ruta 40 entre povoados não há sinal. Wi-Fi em hotéis dos povoados principais, mas lento. Leve mapas baixados offline e avise o seu roteiro para alguém antes de sair.

Tours pelos Vales Calchaquíes 2026

Mais popular

Cachi e Cuesta del Obispo — Dia Inteiro

Salta-Cachi ida e volta em um dia: Quebrada de Escoipe, Cuesta del Obispo, Los Cardones, Recta del Tin Tin. Guia e almoço.

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Mais completo

Vales Calchaquíes: Cachi + Cafayate 2 dias

Circuito completo de 2 dias: Salta-Cachi-Ruta 40-Cafayate-Salta. Pernoite em Cachi, transporte e guia profissional.

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Cafayate e Quebrada de las Conchas

Dia inteiro saindo de Salta: vinícolas de Cafayate, degustação de torrontés e Quebrada de las Conchas. Volta pela RN 68.

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Aventura

Ruta 40: Cachi a Cafayate em 4x4

Travessia de dia inteiro: Seclantás, Molinos, Quebrada de las Flechas, Angastaco. A rota mais bonita da Argentina.

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Vales Calchaquíes 3 dias completos

O circuito definitivo: Cachi (2 noites) + Cafayate (1 noite). Cuesta del Obispo, Ruta 40, vinícolas e Quebrada de las Conchas.

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Vinhos + Arte

Bodega Colomé + Museu James Turrell

Excursão à vinícola mais alta do mundo (2.300 m) e seu museu de arte luminosa. Degustação de vinhos de altitude. Desde Cachi.

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Onde se Hospedar nos Vales Calchaquíes

As opções principais de hospedagem estão em Cachi e Cafayate. Molinos e Seclantás têm opções limitadas, mas com muito charme.

Hotéis em Cafayate, Salta

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Voos para Salta

O aeroporto de Salta (SLA) é a porta de entrada para os Vales Calchaquíes. Voos diários desde Buenos Aires e outras cidades argentinas.

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